
Na Interdisciplina de Pcsicologia da Vida Adulta, um novo desafio, realizar um trabalho em grupo, sobre o assunto: Cultura de Ter Filhos e, entre muitas leituras e reflexões encontrei este artigo muito interessante que tratada tragetória da maternidade através dos tempos, do qual passo a fazer um breve resumo .
No passado acreditava-se que a mãe tinha uma função mais biológica que afetiva.
No século XVII, “ a sociedade valorizava o homem, o marido, era normal que a esposa desse prioridade aos interesses deste sobre os do bebê.” (BADINTER, 1985; p. 64). Principalmente entre a burguesia, havia o hábito de deixar a criança na casa das amas.
A criança era considerada um estorvo, os cuidados, a atenção e a fadiga que um bebê representava no lar nem sempre agradava os pais. Muitas crianças morriam nas mãos das amas.
Numerosas perdas de crianças passaram a interessar ao estado se preocupou em salvá-las da morte. "Foi necessária, então, a utilização de muitos argumentos para convencer as mulheres de que era sua vocação – instintiva imaculada e incondicional - SER MÃE. "
No final do século XVIII, idealiza-se o sucesso de uma família fundamentado no amor e já se observa uma mudança nas mentalidades.
"A sobrevivência das crianças agora é prioritária e o abandono do aleitamento é considerado injustiça para com o filho."
A mãe ideal passou a encarregar-se insistentemente de tudo, assumindo sozinha a educação completa dos filhos.
"Ser mãe não deixava tempo livre para a mulher, que se tornou aprisionada no papel de mãe, nos cuidados infantis a que estava obrigada deixar de lado a independência feminina decorrente da recente emancipação do patriarcado."
Nesta fase, mãe ideal conjugaria perfeitamente sexo, estabilidade conjugal e responsabilidade com os filhos.
No contexto histórico do século XX, "mais especificamente das duas grandes guerras observou-se que o recrutamento dos homens para os campos de batalha e determinou a ocupação, por mulheres, de funções anteriormente masculinas."
Esse foi um caminho sem volta, uma vez que à necessidade inicial de assegurar o sustento da família somou-se e seguiu-se um desejo de satisfação pessoal.
"No entanto, a mulher-mãe continuou vivenciando o mito da mãe eternamente abnegada, aquela que é responsável pela felicidade de todos, passando a sofrer conflito e ambigüidade por não conseguir dedicar-se plenamente a sua função de trabalhadora, nem ser uma mãe exemplar."
Atualmente a mãe de dupla jornada é a mulher exerce as funções distintas de subsistência e cuidados com o lar.
"No trabalho, muitas vezes, é obrigada a desenvolver uma atitude convencionalmente masculina para garantir ser tão capaz quanto um homem, enquanto no lar cobra-se uma excelência como dona de casa, capaz de satisfazer com total perfeição os desejos de sua família deseja sem mostrar cansaço."
A rotina diária dessa mulher exige um esforço extra-humano e a percepção de falhas nos papéis determina sentimentos de frustração e culpa.
“Culpada, e de mil formas, por não ser a mãe perfeita dos mitos. Por não fazer tudo pelos filhos,por não saber evitar doenças, ou as notas baixas, por resmungar quando eles acordam a noite ou por reclamar de suas roupas estragadas... Culpada também hoje porque, com toda literatura que explica e aconselha, não temos mais direito de não nos sairmos bem.Essa culpa é a inimiga número um da maternidade feliz. Ela provoca tristeza infinita (e indefinida!) que encontramos com tanta freqüência nas mães jovens.Trata-se, portanto, de um inimigo a abater, imperativamente! É preciso ser uma mãe feliz!” (SERRURIER, 1993; p. 129)
É necessário desacreditar que a "maternidade é superior à paternidade, mas para tal é preciso desmistificar a amor materno inato e tomar o do pré-suposto de que o amor paterno também é semeado, alimentado e aprendido no trato diário com os filhos e que em nada difere, em possibilidade, do amor materno, fazendo-se necessário, então, a família readaptar-se para redistribuir os espaços na criação dos filhos."
Referências:
Julia Gama Tourinho,UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro Artigo:A mãe perfeita: idealização e realidade - Algumas reflexões sobre a maternidade